O assassino intocável
Os mortos estão de volta, com estratégias melhores que as nossas
Era uma noite tão calma quanto poderia se almejar numa grande metrópole. Nas ruas bem iluminadas, nada além do habitual som dos bêbados cantarolando foi ouvido pela guarda da cidade. Nada foi visto de incomum, nenhuma figura suspeita caminhava pelas ruas, a cidade parecia dormir em paz. Contudo, a noite, mestra das falsas aparências, deixou para trás mais do que apenas antigas canções: em um vasto aposento, na casa mais vigiada de toda a cidade, 16 corpos jaziam estirados no chão, perfurados, todos eles, por violentos golpes de espada.
O que parece uma cena de um romance de Maya Cravo, aconteceu de verdade na cidade de Valettara há duas semanas, e as vítimas da chacina foram ninguém menos que o Jirran Kahlamere e quinze de seus guardas. Jirran há apenas um ano, Kahlamere já era famoso no meio militar pelos seus tratados de guerra e combate estratégico, além de manter o posto de principal colaborador e gerente do controverso grupo de segurança Lerre-Lerri ( Terra em Paz, em tradução literal ) e líder da expedição contra a feiticeira “Mão de pedra” há 12 anos atrás. Inimigos, todos sabiam, tinha em abundância, motivo pelo qual mantinha uma segurança ainda mais abundante. Jirran Kahlamere morreu sem deixar nenhum testamento, e, visto a ausência de filhos legítimos e família próxima, a única herança assegurada, por enquanto, é o mistério de sua morte.
Segundo testemunhas, a última vez que o Jirran foi visto com vida foi no início da tarde, quando o mesmo retornava de uma reunião emergencial do conselho da cidade. Mal humorado e cercado por guardas escolhidos com esmero, Kahlamere não tomou desvios e, após certificar-se que todo o perímetro estava seguro e posicionar seus guardas, retirou-se para dentro de sua casa – apelidada localmente de Gyarrko ou “A Fortaleza”. O que fez então é um mistério: A morte calou toda a casa naquela noite. Investigadores que estiveram no local admitem que o assassino não se deu o trabalho de apagar seus rastros, deixando marcadas as suas pegadas de sangue que não levavamm a lugar algum. Assim também seguiu a investigação, que pareceu ter estagnado: os policiais pediam à população cautela, enquanto tentam formular as mais descabidas hipóteses de quem era o criminoso e como este foi capaz de penetrar a fortaleza.
Para resolver a situação, os policiais puseram o seu orgulho Valetteno de lado e buscaram ajuda externa através do Ouvinte. Foi em um desses muitos contatos que investigadores da Nova Skyhmir relacionaram o padrão das mortes com um trágico acontecimento há 6 anos atrás, quando um mago e seus dois irmãos foram encontrados em circunstâncias bastante semelhantes. Na época, o assassino foi visto deixando a residência pela janela lateral e, abordado por um grupo guardas, deixou mais alguns corpos no caminho antes que “desaparecesse nas trevas”.
O Fantasma de Skyhmir, como a lenda urbana até hoje conta, é um jovem muito magro e de cabelo branco, rosto manchado de lágrimas e sangue, corpo coberto de trapos. Nas noites em
que o Púrpura mais se afasta de Laeria e mal pode ser visto no céu, ele surge no horizonte para levar consigo o sangue daqueles que se envolveram com os guardiões Filhos-da-Pantera. Dizem aqueles que sobreviveram ao ataque desesperado do rapaz desencarnado, que quaisquer ataques lançados contra a assombração a atravessavam, e em seus olhos estava gravado a imagem da própria morte. O Fantasma de Skyhmir nunca foi capturado, e se sua lenda contiver alguma verdade, talvez nunca seja.
De posse das novas informações, o inquérito da guarda revelou que ao menos duas pessoas haviam visto um rapaz semelhante ao que descreve a lenda há uns 10 ou 15 dias antes do ocorrido. Os investigadores, embora preferindo não se basear em uma "descrição genérica de uma crendice estrangeira", tratam a figura descrita pelas testemunhas como suspeito, e o retrato-falado dele pode ser visto na imagem acima A guarda espera que novas pistas venham à tona com a chegada da Chama Divinadora do Templo que já anunciou seu desejo em se envolver no caso, por motivos não revelados ao Capítulo Vespertino.
Por enquanto, podemos apenas esperar que nossos Deuses provem-se fortes e que futuros livros de estratégia ensinem-nos a nos defender dessas temíveis aparições.
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